Na Bahia 18 PMs já foram demitidos este ano

A cada mês de 2017, três policiais militares, em média, terminaram expulsos da corporação baiana. O número total de demissões de 2017 – 18, até o dia 30 de junho deste ano – junto à própria Polícia Militar da Bahia (PM-BA). Os 18 policiais expulsos este ano juntam-se aos 22 demitidos em todo o ano de 2016 e outros 49 que tiveram o mesmo destino em 2015. De lá para cá, a corporação expulsou 89. Os principais crimes que levaram a essas demissões foram homicídio, roubo e corrupção passiva. Somente este ano, até junho, que foram registradas, junto à Corregedoria da PM, 1.081 queixas contra condutas irregulares de policiais militares – o que representa uma média de quase sete ocorrências instauradas por dia. No início deste ano, a PM baiana criou um dispositivo para vigiar a conduta dos policiais. A Ronda Preventiva Disciplinar tem como objetivo apoiar, orientar, educar e fiscalizar os policiais militares nas suas ações para prevenir desvios de conduta.

Incompatíveis: Os 89 já demitidos de lá para cá não foram os únicos problemas da corporação. De 2015 até junho deste ano, quatro policiais militares foram considerados “incompatíveis com oficialato” – é quando se declara que alguém não tem dignidade para ocupar um posto. Essa declaração é dada para aqueles que possuem patente acima do soldado – tenente, capitão, major e tenente-coronel. É que, nesses casos, mesmo depois de comprovada a culpa do denunciado ao final da investigação feita pela Corregedoria, é preciso uma decisão similar da Justiça comum para resultar em demissão. Um dos casos foi o do tenente Daniel Leite dos Santos, 37 anos, do Batalhão Especializado de Policiamento de Eventos (Bope). Em 13 de julho de 2015, ele provocou uma briga generalizada durante uma festa em Pirajá. Daniel atirou na direção de um grupo, atingindo e matando Antonio Carlos Costa Alcântara, 42. Durante a confusão, outras duas pessoas também ficaram feridas – Andreia Tatiana da Silva Calmon, 41, e Francisco Portela Ferreira Neto, 28. Andreia foi baleada, Francisco levou socos e coronhadas e os dois foram parar no hospital. Por aquele crime, o tenente Daniel foi declarado incompatível para o oficialato.
 
Comando : Ontem, durante a cerimônia de formatura de 23 policiais do Esquadrão Águia, o comandante-geral da Polícia Militar da Bahia, coronel Anselmo Brandão, comentou o quadro apurado pela reportagem. “O trabalho principal é uma Corregedoria forte para proteger os bons e para sermos duros e aplicarmos os remédios certos naqueles que estão no desvio de conduta. Desde que assumi o comando, já demiti diversos policiais”, afirmou o comandante-geral da tropa. Segundo ele, a busca por desvios de conduta é permanente. “Esse trabalho de garimpagem continua para tirar essas pessoas com desvio de conduta, porque o grosso da tropa é boa, 99,9% dos policiais são bons e do bem. Infelizmente, existem aqueles com desvio de conduta e nós temos que ser duros, inclusive, aplicando o remédio mais duro que é a exclusão”, declarou o comandante. Segundo ele, além das demissões, outras medidas são aplicadas em casos menos graves, como a advertência e a detenção, que têm um caráter corretivo, para que o policial não cometa mais infrações. (Correio da Bahia)
 
Casos recentes : Nos últimos dias, pelo menos cinco policiais apareceram nos noticiários como sendo responsáveis por crimes. Foi o caso da prisão de quatro PMs no dia 14 de julho, de diferentes companhias, pelo latrocínio do projetista industrial Renato Giffoni Habib, 58 anos, e da dona de casa Nélida Cristina Oliveira Habib, 55. Três dos quatro policiais presos por esse crime são apontados como responsáveis por um caso de sequestro e extorsão, em dezembro do ano passado, em Camaçari. Além disso, na última terça-feira, outro policial foi preso em Lauro de Freitas com um carro que tinha sido roubado em maio em Candeias. A placa ainda estava adulterada.

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